domingo, 13 de janeiro de 2013

Base do governo e oposição delineiam sucessão de 2014

Maria da Guia Dantas - Repórter da TN Online

A um ano e dez meses da eleição geral de 2014 os dirigentes partidários, lideranças e afins começam 2013 intensificando os diálogos que dão início a um reposicionamento das alianças para o pleito. De um lado, o grupo que faz oposição ao Governo Rosalba Ciarlini (DEM) promove encontros, desenha estratégias possíveis e anseia atrair novos parceiros, sem deixar de discutir as incompatibilidades surgidas pelo caminho. De outro, o bloco de legendas aliadas ao executivo estadual trabalha para evitar dissidências e manter-se unificado, uma tarefa que não tem sido fácil. A TRIBUNA DO NORTE ouviu as principais lideranças do Rio Grande do Norte sobre projetos eleitorais futuros, política de acordos e as articulações ainda polidas, porém, devidamente aceleradas. Uns adotaram um tom sutil, como no caso do presidente estadual do PMDB, Henrique Eduardo Alves - "não estamos pensando em candidatura para governo. Ainda é cedo", disse ele. Outros, como o vice-governador Robinson Faria (PSD), foram enfáticos ao de propósitos futuros: "nunca escondi que quero ser governador e vou trabalhar para realizar esse sonho", frisou o líder do PSD. E não esconde mesmo.

Rosalba Ciarlini é candidata natural do DEM à reeleição

Robinson foi o anfitrião de um encontro entre lideranças oposicionistas domingo, 6, na sua casa de praia, em Pirangi, litoral sul da capital. A 'conversa entre amigos' - como ele diz, foi amplamente divulgada pelas assessorias de imprensa dos presentes, uma forma de mostrar ao outro lado do jogo que as afinidades estão em grau satisfatório. "Esse grupo não se formou de forma artificial e está cada vez mais unificado e próximo", disse o vice-governador. Participaram das conversas do condomínio Porto Brasil, onde a família do peessedista passa o veraneio, o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT); a vice-prefeita, Wilma de Faria (PSB); as deputadas federais Fátima Bezerra (PT) e Sandra Rosado (PSB); o prefeito de Parnamirim, Maurício Marques (PDT); e os deputados estaduais Agnelo Alves (PDT), José Dias (PSD), Gesane Marinho (PSD), entre outros.

 
Henrique Eduardo Alves considera prematuro discutir nomes

Neste sábado, 12, os aliados da governadora Rosalba Ciarlini deram uma resposta. Lideranças do PMDB (Garibaldi Filho e Henrique Alves); além dos deputados federais Felipe Maia (DEM), Betinho Rosado (DEM) e João Maia (PR) estiveram em companhia da governadora Rosalba Ciarlini, na praia de Jacumã, numa espécie de confraternização. "Eu não irei (ele falou na sexta-feira, 11) porque estarei fora do estado", afirmou o senador José Agripino Maia, presidente nacional do DEM - "mas estarão todos reunidos", completou o democrata.

PDT avalia que é cedo para definir compromisso eleitoral


O deputado Agnelo Alves garantiu que o PDT "ainda não tem compromisso com ninguém para 2014, embora tenha apreço e afinidade com vários nomes". "Estamos querendo resgatar Natal e continuar os avanços dos últimos anos em Parnamirim. É este nosso único objetivo no momento", atestou o parlamentar. Agnelo lembrou que o PDT acabou de eleger os prefeitos da primeira e terceira cidades em população no Estado, o que representa 46% do total de habitantes do Rio Grande do Norte. Isso, enfatizou ele, credencia o partido a discutir o pleito eleitoral com voz ativa.

"Não há como pensar em sucessão governamental agora. Todos querem ser mas nenhum foi até agora submetido ao merecimento popular. Mérito e gestão atualmente são primordiais", destacou o pedetista. Embora garanta que não há diálogos e aliados definidos, o PDT deve se manter no grupo oponente ao Governo estadual porque não vê justificativa para mudança do quadro atual. Sobre a chegada do PMDB ao bloco que faz oposição à gestão Ciarlini, ele garantiu que os petistas não se opõem a essa possibilidade. "Não há incompatibilidade irremovível, embora este assunto não esteja sendo absolutamente tratado por nós", reforçou.

Agnelo Alves falou também sobre o projeto do vice-governador Robinson Faria, que já admite o esforço desprendido para viabilizar a candidatura ao governo do Estado. "Ele é um nome respeitado no PDT porque nos apoiou na eleição municipal, mas o fato é que temos preocupações muito urgentes neste momento, como as administrações em cidades muito importantes no Estado", expôs o deputado.

Fátima afirma que PT nacional quer candidatura ao Senado


A deputada Fátima Bezerra declarou que o PT estadual já se prepara para abrir o debate interno sobre as eleições de 2014 e admitiu que entre as pretensões está uma candidatura ao Senado, a qual deverá protagonizar; e a ampliação dos quadros na Assembleia Legislativa. A deputada federal assinalou ainda que as escolhas petistas para o pleito estarão, necessariamente, em harmonia com o diretório nacional, que apresentará ao Brasil a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. "Há um sentimento do PT nacional para que eu disponibilize meu nome para o Senado. Nós vamos maturar essa ideia, mas por enquanto vamos promover debates nas instâncias partidárias para saber se o sentimento é mesmo esse", frisou a parlamentar.

O diretório estadual do PT se reuniu em dezembro e decidiu, por meio de resolução, que o debate sobre o pleito do próximo ano será iniciado - no que concerne à instância interna - já em 2013. De antemão, é consenso entre os petistas a "aliança preferencial" com o PDT, PSB e PDT, um cenário histórico e com viés nacional. Ela observa, no entanto, que as legendas aliadas no plano federal, como é o caso de PSD, PMDB, PV ("de Paulo Davim") e outras - também são bem-vindas, desde que não estejam unidas às siglas sumariamente divergentes, como PSDB, PPS e DEM.

"Vamos aguardar o desfecho do PMDB sobre a aliança com o DEM. Se eles romperem, poderão tranquilamente dialogar conosco", salientou ela. Fátima se diz "motivada" para enfrentar a disputa ao Senado. "Nossa ideia também é aumentar o quadro na Assembleia e, prioritariamente, reeleger a presidenta Dilma", concluiu a parlamentar.

José Agripino destaca que Rosalba é candidata natural


Para o Partido Democratas (DEM), Rosalba Ciarlini é candidata natural ao governo. Mas segundo o presidente nacional da legenda, José Agripino Maia, essa é uma possibilidade e não uma certeza. "Não estou lançando a governadora candidata, eu apenas estou dizendo que isso é presumível", disse ele. Agripino destacou que, ademais, a chefe do executivo estadual não tem como prioridade discutir a eleição do próximo ano e sim se dedicar à administração. "Sabemos do momento de dificuldade e nós temos consciência que o governo passa por um momento de desgaste devido aos problemas de ordem orçamentária e financeira que herdou, mas eu tenho certeza que essa fase será superada", opinou ele.

De acordo com o senador, o Democratas concluiu a eleição municipal de maneira exitosa, com um crescimento de 50% em relação ao que era antes. Ele destacou a manutenção da administração do DEM na maior cidade do interior - Mossoró - com a vitória de Cláudia Regina (DEM), além de outros municípios, como Pau dos Ferros e João Câmara. Para ele, na medida em que superar as dificuldades administrativas, o Governo do Estado dará uma contribuição nutritiva à legenda com vistas à eleição de 2014. "Essas dificuldades estão sendo superadas e isso é importante para o crescimento do partido também", disse ele.

José Agripino não conta com o rompimento de aliados, como o PMDB, da base de sustentação da governadora. Mas de toda forma, pondera que o máximo a ser feito pelo Democratas é torcer pela permanência da união do grupo, já que não pode interferir em escolhas de terceiros. "É nossa vontade que a aliança permaneça, agora cada partido responde por si próprio", exclamou. Agripino frisou ainda que o DEM quer e deseja mais: "que o PMDB esteja por inteiro na nossa aliança em 2014". Ele falou também sobre o PR, partido sob o comando do deputado federal João Maia. A legenda do parlamentar republicano tem se aproximado de peemedebistas e democratas potiguares, mas em nenhum momento declarou apoio irrestrito à gestão estadual.

Wilma afirmou que prefere uma vaga na Câmara


A vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), afirmou em entrevista recente à TV Tribuna, que prefere ser candidata a deputada federal em 2014 é um "bom caminho". Durante a entrevista, a presidente estadual do PSB evitou falar em projetos para as próximas eleições, mas admitiu a predileção pela Câmara dos Deputados. Wilma de Faria foi procurada para falar sobre o pleito estadual, mas não quis se pronunciar.

A peessebista é considerada ponto divergente na intenção do grupo de oposição de atrair o PMDB. Enquanto a maior parte dos aliados se posicionam favoráveis à aproximação peemedebista, a ex-governadora se apresenta claramente contrária. Na entrevista que concedeu à TN, a vice-prefeita voltou a criticar o governo Rosalba Ciarlini e destacou que a chefe do Executivo ainda não começou a cumprir o que apresentou na campanha.

Wilma de Faria não externa, mas de maneira polida tem trabalhado para viabilizar uma candidatura majoritária em 2014. A candidatura para deputada federal é manifestada oficialmente, no entanto, esta não é a única da pretensão da líder do PSB.

PMDB reavalia aliança, diz Henrique


O PMDB optou por reavaliar a aliança com a administração da governadora Rosalba Ciarlini. A informação é do presidente estadual da legenda, Henrique Eduardo Alves. De acordo com o parlamentar, a insatisfação de deputados da Assembleia Legislativa somada a uma falta de reciprocidade do Governo com os peemedebistas têm gerado seqüelas que precisam ser reparadas para evitar cisões mais graves. Ele enfatiza que não há uma boa articulação política por parte do Governo e que o debate com os aliados é inexistente. Henrique também criticou o fato de o conselho político, criado ano passado, não haver se reunido uma vez sequer. "Vamos saber se o Governo vai continuar isolado, se vai querer ouvir os aliados, planejar o futuro ou se vai ficar nessa mesmice aí", criticou o deputado.

 
Garibaldi Filho considera que momento do PMDB do Rio Grande do Norte é de independência

O PMDB estadual já agendou um encontro para a segunda quinzena de março. Mas antes, a governadora Rosalba Ciarlini e interlocutores já devem atuar na condição de bombeiros pra apagar as chamas geradas a partir de descontentamentos dos parlamentares estaduais. O deputado Henrique Alves destacou que apesar da "insatisfação latente" e da "falta de diálogo interno, mais transparente e eficiente" do Governo, os peemedebistas estão dispostos a dialogar e buscar uma reaproximação com a gestão democrata. Um dos pontos criticados pelo presidente estadual do PMDB diz respeito a "falta de autonomia dos secretários" do estado. "Não é questão de recurso ou de cargo, mas de diálogo e parceria".

Ele garantiu que embora o momento seja de realinhamento político e administrativo o PMDB não pensa, pelo menos no momento, na possibilidade de se reposicionar no cenário local e se aliar ao grupo de oposição. "Não seria correto, não teria lógica politica. Nós estamos na nossa casa tentando um caminho. Isso aí seria oportunismo", destacou o parlamentar. Ele destacou que o PMDB já sabe o que quer, "resta saber qual o tipo de parceria o Governo quer com o partido".

Diante das especulações germinadas a partir de conversas entre líderes e dirigentes partidários, no sentido de que a oposição visa atrair os peemedebistas para uma aliança com vistas a 2014, Henrique é enfático: "vamos tentar manter a parceria atual". Ele afirma que a discussão sobre candidatura majoritária para 2014 não está em pauta no PMDB. "Não é hora", disse. Henrique nominou a parceria com o Governo de "residual e estreita". "Isso não é bom para nenhum dos lados. Isso precisa ser reavaliado", reforçou. Ele destacou que o PMDB saiu grande na eleição municipal, com 52 prefeitos eleitos, e essa situação reforça a condição de grande e importante legenda no Rio Grande do Norte e no país.

Para o ministro da Previdência, Garibaldi Filho (PMDB), o momento dos peemedebistas, no Rio Grande do Norte é de independência. Ele evita declarações mais detalhadas sobre a tendência do partido. Mas também confirma que a definição sobre a permanência na base aliada será em março, durante reunião do diretório estadual da legenda.

Robinson Faria admite candidatura


O PSD é o único dos partidos potiguares a ter um político que admite disputar a eleição para chefe do executivo estadual. O vice-governador Robinson Faria já declarou ter esse objetivo para 2014, embora frise que ainda não há uma definição no sentido. O ex-deputado do PSD menciona a afinidade do grupo de oposição ao governo Rosalba Ciarlini e assinala como possíveis também as candidaturas da deputada Fátima Bezerra, ao Senado, e Wilma de Faria, à deputada federal. "Já está mais ou menos definido. Eu defendo que o grupo cresça, então esperamos que consigamos atrair o PMDB", disse ele.

Robinson relatou um encontro que teve com o ministro Garibaldi Alves, em Brasília, afirmando não haver impasses com o partido liderado pelo ministro e pelo deputado Henrique Alves. "Eu sou a favor, mas Wilma já pensa diferente. Nós temos conversado para chegarmos em um denominador comum", enfatizou, lembrando a afinidade de ambos os grupos no plano nacional, já que todos apóiam a presidenta Dilma Rousseff.

Ele destacou que o diálogo com os peemedebistas está aberto, embora não tenha havido qualquer compromisso formal até agora. "Eu não tenho propósito de disfarçar. Fui deputado mais votado várias vezes e acho que estou credenciado para viabilizar o meu projeto. É lógico que falta mais de um ano e muita coisa pode acontecer, mas vou em busca do meu sonho", enfatizou Robinson Faria. Para o vice-governador, reunir aliados, traçar estratégias e discutir possibilidades, como vem fazendo a oposição, não é um ato de ansiedade. "Temos nos reunido para conversar e disputir possibilidades. O que tem de mal nisso?", indagou o ex-parlamentar.

Coligações terão influência no cenário nacional


Os rumos dos partidos e alianças na disputa eleitoral de 2014 no Rio Grande do Norte não terão influência apenas das articulações empreendidas pelas lideranças e dirigentes partidários locais. Há definições da política nacional que vão influenciar no Estado e podem ter implicações na escolha de candidato ou formação de coligações.

Uma dessas definições certamente envolverá a criação de novos partidos ou fusão de siglas até setembro. Isso abre a possibilidade de parlamentares e outros detentores de mandato trocarem de filiação sem risco de punição por infidelidade partidária, desde que passem para a nova legenda.

A ex-senadora Marina Silva está entre os políticos com projeção nacional que declaram o interesse em criar um novo partido. O embrião da futura legenda é o Movimento Social Nova Política, articulação suprapartidária lançada no ano passado pela ex-ministra do Meio Ambiente no governo Lula.

Inicialmente, Marina pretendia anunciar a intenção de recolher as quase 500 mil assinaturas necessárias para formar a nova legenda na semana que vem, mas foi aconselhada a adiar para fevereiro, na reabertura dos trabalhos do Congresso Nacional. A ideia é que o novo partido seja formado com políticos oriundos de várias legendas.