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19 abril 2026

Serie “Verbo Sertanejo”- Entre Memória e Resistência: a poesia viva de Genildo Costa

Poeta, escritor, cantor e compositor, voz viva das tradições populares, Genildo Costa carrega na palavra a força de quem cresceu entre o vento do litoral e as histórias do povo.

Natural de Grossos, no Rio Grande do Norte, ele construiu uma trajetória marcada pela simplicidade, pela oralidade e por um profundo compromisso com a cultura nordestina.

Sua poesia retrata seu amor pela cultura local e suas raízes. Seus versos de pura resistência figuram em meio à rapidez do mundo, como um sopro de sensibilidade e permanência.

Raízes que viram poesia

Nascido em 17 de setembro de 1960, em Grossos, Genildo Costa é filho do funcionário público Dagmar da Costa e Silva e da costureira Antônia Vanda de Araújo Silva. Cresceu em uma família numerosa, ao lado de cinco irmãos, em um ambiente onde a poesia já fazia parte do cotidiano.

A influência veio de dentro de casa e também das gerações anteriores. Seu avô, Miguel Erasmo da Silva, e seu pai, Dagmar, além de poetas como Raul da Barra e Luiz Campos, ajudaram a moldar seu olhar sensível e sua relação com a palavra.

Da sala de aula ao palco da cultura

Aos 17 anos, mudou-se para Mossoró para concluir os estudos, período em que morou na Casa do Estudante. Mais tarde, formou-se em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.

Durante cerca de 10 anos, atuou como professor, experiência que também dialoga com sua veia comunicadora e formadora. Mas foi na arte que encontrou seu caminho definitivo.

Decidido a seguir seu sonho, lançou o disco Cores e Caminhos, trabalho que ampliou sua atuação para além da poesia. O álbum teve três músicas incluídas na trilha sonora do filme Caldeirão do Diabo, gravado na Penitenciária João Chaves, em Natal, um marco importante em sua trajetória artística.

O poeta em movimento

A atuação de Genildo Costa vai além dos palcos. Idealizador do projeto Canto Potiguar, por dois anos percorreu diversas cidades, levando música e poesia por todo o estado. Também apresentou o programa Cultura dos Monxorós, na Rádio Rural de Mossoró, ampliando ainda mais seu alcance e reafirmando seu papel como agente cultural.

Foi secretário de Cultura da cidade de Grossos, onde desenvolveu importantes projetos culturais e, atualmente, preside a associação Centro de Artes Miguel Erasmo da Silva – Camboar, onde reúne um acervo riquíssimo que resguarda e perpetua a cultura popular.

Palavra que aproxima

A escrita de Genildo Costa é marcada pela linguagem acessível e pela conexão direta com o público. Seus poemas não se distanciam: eles convidam. Há humor, crítica social, memória e afeto em suas construções.

Seus versos revelam um olhar atento sobre o tempo presente, sem perder o vínculo com o passado. É essa combinação que faz sua obra atravessar gerações e expõe, declaradamente, seu amor por sua cidade, Grossos, e pelos camboeiros que estão diretamente ligados à sua história.

“Não conheço essa fera que agoniza, todo verde existente nessa mata

Mata virgem onde cantou a passarada, anunciando a invernada no sertão.

Os abalos da própria evolução reverteram todo o quadro, com certeza

Abolindo as leis da natureza, fez brotar reboliço e assombração.

Com a chegada da industrialização, acelera-se o ritmo da pobreza

O operário é sinônimo de fraqueza, como engrenagem de toda produção.

Desse conjunto de forças produtivas que conduz o progresso social

Intensifica o próprio capital que aniquila, mata e devora.

Só a luta de classe determina o avesso do avesso da história”.

Avesso do Avesso- Genildo Costa.

Obras do Artista

Entre os livros lançados estão “Cotidiano em Dois Tempos” e “A Sombra da Gaivota e A Saga da Poesia Sobrevivente”. Sobre os discos: “Cores e Caminhos” e “Camboar”, sendo este último transformado em DVD.

Uma voz que permanece

A trajetória de Genildo Costa é, acima de tudo, um testemunho de pertencimento. Sua poesia não apenas narra histórias: ela preserva memórias, fortalece identidades e mantém acesa a chama da cultura nordestina.

E é assim, entre lembranças e vivências, que sua arte segue ecoando viva, necessária e profundamente nordestina.

*Carla Albuquerque - Rural de Mossoró 

Chuvas retomam abastecimento de água em cidades do RN após colapso

Foto: Reprodução
As chuvas registradas recentemente no Rio Grande do Norte permitiram a retomada do abastecimento de água em cidades que estavam em colapso, segundo a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte.

Neste mês de abril, os municípios de São João do Sabugi e Ouro Branco voltaram a receber água. As duas cidades haviam suspendido a cobrança das contas em dezembro de 2025, e, com a normalização do serviço, a tarifa volta a ser aplicada a partir deste mês.

Dados do Instituto de Gestão de Águas do Rio Grande do Norte apontam que as reservas hídricas do estado estão em 44,82%. A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, responsável pelo abastecimento de mais de 30 cidades, acumula cerca de 42% da capacidade.

Outros municípios da região do Seridó também registraram melhora no abastecimento, como São José do Seridó, Parelhas, Jardim do Seridó, Carnaúba dos Dantas e Equador.

Apesar da melhora, a Caern orienta a população a manter o uso consciente da água, já que a irregularidade das chuvas exige atenção para a preservação dos mananciais e a continuidade do abastecimento.

Segundo a Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde, a água distribuída deve atender aos parâmetros de potabilidade. A companhia mantém laboratórios em todas as regiões do estado, além de uma unidade central em Natal, para o monitoramento contínuo da qualidade da água.

*98 FM de Natal 

Papa: estou na África para encorajar católicos, não debater com Trump

Minutos após embarcar em um voo rumo a Angola, na terceira etapa de sua viagem apostólica à África, o papa Leão XIV disse neste sábado (18) não ter interesse algum em discutir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

“Difundiu-se certa narrativa, não totalmente precisa, por causa da situação política criada quando, no primeiro dia da viagem, o presidente dos Estados Unidos fez algumas declarações sobre mim”, explicou o pontífice a jornalistas que o acompanham.

“Grande parte do que foi escrito desde então nada mais é do que comentário sobre comentário, na tentativa de interpretar o que foi dito”, destacou o pontífice, ao citar que o discurso feito no Encontro de Oração pela Paz, no último dia 16, havia sido preparado duas semanas antes.

“Muito antes de o presidente comentar sobre mim e sobre a mensagem de paz que estou promovendo. Ainda assim, foi interpretado como se eu estivesse tentando debater novamente com o presidente, algo que não é de modo algum do meu interesse”, completou.

Durante o voo, o papa fez um balanço positivo dos três dias de viagem a Camarões, país que, segundo ele, representa o “coração da África” sob diversos aspectos, citando cerca de 250 idiomas locais e uma grande variedade de etnias.
Paz e diálogo

Leão XIV pediu ainda paz e diálogo entre as diversas religiões: “Venho à África principalmente como pastor, como chefe da Igreja Católica, para estar, para celebrar, para encorajar e acompanhar todos os católicos africanos”.

O pontífice defendeu ser necessário “continuar a promover, como já estamos fazendo em outros lugares e como fez o papa Francisco durante seu pontificado, o diálogo, a promoção da fraternidade, da compreensão, da aceitação e da construção da paz com pessoas de todas as religiões”.