Foto: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar que o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deverá prestar esclarecimentos às autoridades sobre as investigações conduzidas pela Polícia Federal. A declaração ocorreu durante uma reunião realizada na noite de quarta-feira (19), no Palácio da Alvorada, que teve como principal assunto a estratégia da campanha presidencial em São Paulo.Participaram do encontro o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha e coordena a campanha de Lula no estado, o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo paulista, Fernando Haddad, além de outros integrantes da equipe. As informações foram divulgadas pelo Metrópoles, fonte desta reportagem.
Segundo interlocutores ouvidos pelo veículo, o caso envolvendo Lulinha não estava previsto na pauta inicial e acabou sendo mencionado durante a conversa. O assunto foi tratado rapidamente, sem discussões específicas sobre a estratégia jurídica adotada pela defesa ou sobre medidas nos inquéritos.
Lula diz que filho deve responder às autoridades
De acordo com os relatos, Lula reiterou que Lulinha deverá prestar os esclarecimentos necessários sempre que for convocado pela Polícia Federal ou por outras autoridades. O presidente também teria reforçado que não pretende interferir nas investigações nem conceder qualquer tipo de tratamento especial ao filho.
Marco Aurélio de Carvalho afirmou ao Metrópoles que o tema foi abordado apenas de maneira lateral e que não houve discussão específica sobre a defesa de Lulinha. O advogado declarou ainda que pretende conduzir o caso de forma transparente e que seu cliente tem interesse em esclarecer eventuais dúvidas relacionadas às suas atividades pessoais e profissionais.
A defesa também criticou o que considera vazamentos seletivos de informações dos inquéritos e afirmou que a divulgação de dados das investigações poderia estar sendo utilizada com interesses políticos e eleitorais. Carvalho, porém, disse confiar no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Investigações envolvendo Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva é alvo de pelo menos três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de pedidos da Polícia Federal.
As apurações envolvem suspeitas relacionadas a tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde, possível favorecimento de empresários na Dataprev e a atuação de um grupo suspeito de manter negócios ilícitos em áreas do governo federal.
Reportagens do Metrópoles também divulgaram mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de tráfico de influência. Os diálogos mencionariam negócios, reuniões e contatos com integrantes do governo.
A PF ainda apura transferências que somam R$ 1,5 milhão feitas pelo empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para Roberta. Em uma das movimentações, segundo a investigação, o empresário teria feito referência ao dinheiro como destinado ao “filho do rapaz”. A polícia investiga se a expressão se referia a Lulinha.
A defesa nega qualquer irregularidade e afirma que Fábio Luís atua exclusivamente na iniciativa privada, sem negócios relacionados ao governo federal. Os advogados também sustentam que as quebras de sigilo bancário e fiscal realizadas durante as investigações não encontraram evidências de práticas ilegais.
Lula já havia se manifestado sobre o caso
A posição apresentada por Lula na reunião segue a linha adotada pelo presidente publicamente nos últimos dias. Em 14 de agosto, ele afirmou acreditar na versão apresentada pelo filho, mas ressaltou que não pretende atuar para impedir o andamento das investigações.
Na ocasião, Lula declarou que não pediria o encerramento de qualquer processo envolvendo Lulinha e afirmou que, caso o filho não tivesse cometido irregularidades, deveria apresentar sua defesa; se houvesse responsabilidade, deveria recorrer aos meios jurídicos disponíveis.
Caso Marcola também é citado
O caso de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete de Lula, não teria sido tratado especificamente durante a reunião no Alvorada. Segundo interlocutores, entretanto, o presidente mantém uma orientação geral de que pessoas próximas ao governo convocadas pelas autoridades devem prestar esclarecimentos.
Marcola deixou recentemente a campanha do PT após a divulgação de que recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger. Ele confirmou o recebimento e afirmou que o valor correspondia a um empréstimo para solucionar uma questão familiar, posteriormente quitado com juros e correção.
A Polícia Federal também investiga diálogos entre Roberta e Marcola relacionados à compra de joias e ao pagamento de despesas. A suspeita é de que os benefícios pudessem estar relacionados à manutenção de acesso e influência no núcleo do governo.
Campanha em São Paulo foi o foco principal
Apesar da repercussão envolvendo Lulinha, a maior parte da reunião foi dedicada à campanha presidencial em São Paulo. Lula, Haddad, Marco Aurélio de Carvalho e outros integrantes avaliaram o início da disputa eleitoral e discutiram os próximos compromissos do presidente no estado.
Segundo interlocutores, Lula demonstrou confiança no cenário paulista e pretende ampliar sua presença na região nas próximas semanas, conciliando a agenda com compromissos em outras partes do país.
Carvalho foi escolhido para coordenar a campanha de Lula em São Paulo e, simultaneamente, permanece à frente da defesa de Lulinha.

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