Classificados apontam situação precária e aguardam nomeação determinada pela Justiça com prazo até 14 de junho; PCRN atua com apenas 36% do efetivo definido por lei
De acordo com dados oficiais da Polícia Civil do Rio Grande do Norte, o estado possui 105 delegacias localizadas no interior. Entretanto, com o total de 167 municípios, algumas áreas além de dividir as estruturas físicas, dividem pessoal, com um único delegado para atender de duas a quatro localidades. A constatação é feita por um grupo de 270 concursados da Polícia Civil do RN, que aguardam nomeação determinada pela Justiça para suprir um déficit de 3 mil vagas no efetivo da corporação.
O prazo final para o cumprimento da sentença está marcado para o dia 14 de junho. E as medidas expressas devem ser atendidas para sanar um déficit estrutural considerado incompatível com o dever constitucional. Hoje, a Polícia Civil do RN atua com apenas 34% do efetivo e a última nomeação realizada, em abril, pelo Governo do Estado ocupou apenas as vacâncias referentes à aposentadoria, exoneração, demissão ou falecimento de servidores anteriores.
“Cada delegacia abarca de dois a quatro municípios, o que torna impossível ser feito um bom trabalho, visto que cada delegado acumula todas essas delegacias ao mesmo tempo no interior do estado. Dessa forma, até os que assumiram recentemente já apresentam sintomas de estafa e adoecimento por causa desse déficit de pessoal”, afirma Richard Wikliff, classificado para o cargo de escrivão no Edital nº 01/2020.
Ao todo são 180 classificados ainda sem nomeação e aproximadamente 90 que aguardam a abertura de um Curso de Formação Profissional, etapa obrigatória do certame com duração média de três meses. Com a validade da prova prevista para expirar em outubro de 2026, os classificados temem não haver tempo hábil para que possam concluir o curso e assumir seus cargos.
Conforme explica Thalita Mendonça, aprovada no concurso para o cargo de delegada da Polícia Civil, o Curso de Formação já possui previsão orçamentária e pode ser realizado na Cidade da Polícia, complexo inaugurado em dezembro de 2025 que reúne a sede da instituição e diversas unidades estratégicas.
“Não há impedimento estrutural para a realização do curso. O orçamento já está previsto, a própria Polícia Civil dispõe de profissionais capacitados para atuar como instrutores e a instituição já sinalizou interesse na realização dessa etapa. O que falta é apenas a decisão do Governo para viabilizar a convocação. A urgência é evidente, pois o concurso se aproxima do prazo de validade, enquanto o Rio Grande do Norte enfrenta um grave déficit de efetivo na Polícia Civil. A realização do curso e o ingresso desses novos servidores representam um reforço importante para melhorar o atendimento à população e fortalecer a segurança pública em todo o estado”, destaca.
De acordo com relatório elaborado pela Secretaria de Segurança Pública e enviado para o Ministério da Justiça em 2025, 15 cidades potiguares são apontadas como de “alta vulnerabilidade” ao crime organizado. Tanto o litoral quanto o interior são ponto de partida para diversos crimes, como tráfico de drogas, contrabando de mercadorias, escoamento de cargas e movimentações financeiras milionárias.

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