Foto: Marina Dias
Concluído em 31 de agosto de 2016, o impeachment de Dilma Rousseff (PT) completa dez anos neste domingo. Uma década depois, pelo menos dez deputados e senadores que votaram pela saída da então presidente integram chapas majoritárias apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. A informação é de O Globo.O cenário político mudou significativamente desde o afastamento de Dilma. O PT passou por derrotas eleitorais, Lula foi preso, Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial de 2018 e, quatro anos depois, o petista voltou ao Palácio do Planalto. Nesse período, antigos adversários do partido se aproximaram de Lula.
Um dos principais exemplos é Simone Tebet. Em 2016, então senadora pelo MDB, ela votou pela cassação de Dilma e criticou a política fiscal do governo. Em 2022, disputou a Presidência, apoiou Lula no segundo turno e posteriormente assumiu o Ministério do Planejamento. Atualmente filiada ao PSB, concorre ao Senado por São Paulo com apoio do presidente.
Outro caso é o de Renan Calheiros (MDB), que presidia o Senado durante o impeachment e também votou pela cassação. Apesar de manter uma longa relação política com o PT, hoje integra a chapa apoiada por Lula em Alagoas na disputa por uma nova vaga no Senado.
No Rio de Janeiro, Pedro Paulo, então deputado pelo MDB, também votou a favor do impeachment. Hoje no PSD e candidato ao Senado, ele considera que tomou uma decisão equivocada. O parlamentar afirma que não houve crime de responsabilidade e que o processo contribuiu para o crescimento da extrema direita no país.
Parlamentares que se aproximaram do PT
A mudança de posição também ocorreu entre políticos que passaram a integrar o próprio PT. É o caso de Eliziane Gama, que votou pelo impeachment quando era deputada e atualmente é senadora e filiada ao partido. Ela busca um novo mandato pelo Maranhão com apoio de Lula.
Veneziano Vital do Rêgo, do MDB, também votou pela cassação quando era filiado ao PSB. Ele se elegeu senador em 2018 e agora tenta permanecer no cargo na Paraíba.
No Amazonas, Omar Aziz (PSD), que também votou pelo impeachment, disputa o governo estadual apoiado por Lula. Outros parlamentares que apoiam o presidente e votaram pela cassação em 2016 são Júlio Cesar (PSD), no Piauí; Rafael Motta (PDT), no Rio Grande do Norte; e André Moura (União), em Sergipe.
Para o cientista político Josué Medeiros, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), parte da centro-direita tradicional mudou de posição ao perceber que o espaço político aberto após o impeachment foi ocupado principalmente pela extrema direita.
O processo de impeachment foi concluído em 31 de agosto de 2016, quando o Senado aprovou definitivamente a cassação do mandato de Dilma. Ela estava afastada do cargo desde 12 de maio daquele ano.
*98 FM de Natal

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