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domingo, 13 de janeiro de 2019

O CEGO DE CAICÓ QUE DESCOBRIU A XELITA E O URÂNIO NO RIO GRANDE DO NORTE

Eis uma daquelas histórias dignas de um roteiro de filmes inspiradores (daqueles que o começo se inicia com “baseado em fatos reais”). Trata-se da história de Joel Celso Dantas, que foi o descobridor da xelita (também escrita Schelita) e do urânio no Nordeste. A história da sua vida é um comovente exemplo do quanto pode a obstinação de um nordestino, por descobrir e provar a ocorrência das incalculáveis riquezas e jazidas de minérios escondidos no subsolo de sua terra. Alguém já bem o disse que devemos ler biografias de grandes homens.É uma interessante síntese biográfica de uma grande homem desconhecido.Nordestino, potiguar, caicoense!.
A Revista Manchete contou a história de Joel Dantas em 1957 quando ele estava no Rio de Janeiro, na Casa de Saúde Santa Maria, nas Laranjeiras, tentando recuperar sua visão.


Acompanhemos.
Ele nasceu em Caicó, aos 7 anos ficou cego por causa de uma queratite (opacificação da córnea). Foi ao Recife se tratar, mas voltou desiludido: ficara uma pequena réstia de visão embaçada, para a qual de nada adiantaria o uso de óculos.
Fez questão, porém, de continuar frequentando a escola, mesmo como ouvinte, apenas. Pedia aos colegas e amigos que lessem livros para ele. ”comecei a gostar de livros de ciência”, contou a revista. E passou a interessar-se pela Física. Pensou na sua própria cegueira e dedicou-se ao estudo das lentes.10 anos depois, conseguiu fazer uma combinação de lentes que lhe restituiu um pouquinho de visão.”senti um contatamento enorme, quando vi uma letra novamente”.
Habituou-se, desde então, a uma leitura penosa. Das várias lentes combinadas, chegou a perfeição de um aparelho chamado “conta-fios”, através do qual lia letra por letra, mas lia. Assim, penosamente, já havia conseguido devorar centenas de livros. Soletrava. Se era interrompido no meio da palavra, tinha de recomeçá-la para pegar-lhe novamente o sentido. Tinha uma ortografia própria, pois a cegueira o atingiu numa idade em que ele não tinha aprendido a escrever.
Sua mãe gostava de colecionar pedras bonitas em casa. Quando saía, levado por ela, para fazer passeios pelo sertão, apanhava seixos nas estradas e trazia-os para apalpá-los e estudá-los. Casou-se aos 19 anos, em 1935, leu o primeiro volume de mineralogia.

Joel Dantas
Fonte: Revista Manchete, 1957.
Como descobriu a primeira xelita
Passou a analisar aquelas pedras, no fundo do seu quintal, ajudado pela mulher. Ganhava, então, 200 mil réis por mês, dos quais ainda tirava uma parte para construir forjas rústicas.Nas análises, encontrava ouro, ferro, titânio. "Eu não sabia que a Natureza não poderia ter sido tão madrasta com o Nordeste, ao dar-lhe apenas seca, falta de chuvas, misérias, privações.Aquelas pedras tão abundantes devia ter algum valor", disse Joel.
E tinham. Através delas, Joel Dantas chegou a certeza da existência de maiores possibilidades minerais: aquelas rochas matrizes, pelas suas características, deviam possuir maiores quantidades de minérios.Toda aquela região inóspita era um imenso lençol de riqueza subterrânea.
Em 15/10/1941, mesmo lutando contra a cegueira, Joel Dantas conseguiu descobrir, na fazenda Riacho de Fora, a primeira xelita: uma pedra desconhecida, muito pesada, diferente de todas as outras. “Não vale nada”, disseram-lhe. Na Paraíba, um comerciante ofereceu 50 centavos pelo quilo. Joel indignou-se: “imagina: 50 centavos por um quilo de tungtênio, o minério que vai revolucionar o mundo”.

A primeira fase da batalha
Havia em Natal um padre sábio, o padre Monte (Cônego Nivaldo Monte, 1918-2006, arcebispo de Natal entre 1967 e 1988) que acreditou nele. Apesar desse depoimento autorizado, ninguém acreditava naquela história. Joel Dantas saiu pelo interior a fazer propaganda de sua descoberta, para ver se os fazendeiros se interessavam por ela. Descobriu nada menos de uma tonelada e meia do minério, nos mais diferentes pontos da região.
O Ministério da Agricultura, no Rio de Janeiro, terminou finalmente confirmando o seu laudo: aquelas pedras eram realmente xelita. Estava ganha a primeira batalha. Faltava o resto: a batalha pela exploração. Mas, esta seria bem mais fácil, pois, não faltariam logo os proprietários de terra que se interessariam por ganha dinheiro.
Isto se verificou, realmente, com dezenas deles, inclusive o famoso desembargador aposentado Tomás Salustino, que já estava ganhando centenas de milhões de cruzeiros com a sua mina Brejuí. A primeira pedra do desembargador foi levada a Joel Dantas, por intermédio do governador do Rio Grande do Norte a época, Dinarte Mariz. Ninguém acreditava nela, pois, tinha forma de areia. Mas, Joel disse que se tratava de xelita de boa qualidade. O desembargador se convenceu e tratou de explorar sua mina, transformado-se numa das maiores fortunas do país.
Constatou a presença de urânio de alto teor, numa extensão de 10 km no litoral nordestino, por intermédio de um aparelho Geiger, que o almirante Álvaro Alberto lhe mandou de presente.
Enquanto isso, o cientista continuava cego e passando privações. Já havia localizado centenas de minas de berilo, columbita, tantalita, abrigonita, granada, bismuto, estanho, florita e outros. Diariamente, chegavam-lhe as mãos, na sua casa em Natal, dezenas de pedras para análises, vindas de todos os Estados do Nordeste. Ele as analisava e classificava criteriosamente.

Em 1957, aos 38 anos, Joel Dantas já havia feito mais de 20 mil anotações de análises, demonstrando a existência de reservas incomensuráveis de minérios, em toda a região nordestina. Mas, pelo seu trabalho, muitos dos que o procuravam e que depois ficaram milionários à custa dos seus laudos, nem se lembravam de pagar Cr$ 100 ou Cr$ 200. Por isto, Joel Dantas continuava pobre, ele que tinha dado riqueza a tanta gente! (MANCHETE, 1957, p.37-39).

“Eu vi”
Em 1957 Joel Dantas se submeteu a um transplante de córneas. “Eu vi”, disse Joel Dantas, ao sair da sala de cirurgia.Contava 38 anos, dos quais 30 como cego.A cirurgia foi feita pelo Dr. Abreu Fialho.
Chegou ao Rio de Janeiro depois de uma campanha feita por um jornalista (a revista não cita) e o médico Xavier Fernandes, diretor da Divisão de Organização Hospitalar do Ministério da Saúde, tendo que se submeter a um intenso tratamento pré-operatório, pois, estava pensando 45 kg e queimado dos pés a cabeça pelas emanações radioativas das amostras de minérios que ia descobrindo e pesquisando.

“Eu vi”. Joel Dantas guardou a confissão para fazê-la em primeiro lugar a sua mulher e ao jornalista que o ajudou (a revista manchete não cita o nome de ambos).
- Viu o quê?
- Vi um clarão imenso, logo seguido pela formação nítida de certas imagens. Vi o bisturi na mão do Dr. Fialho, antes mesmo de que ele me enxertasse a outra córnea. Foi indescritível a sensação de ver pela primeira vez ( destaque nosso pela tomada de emoção com o referido relato ao escrever o mesmo). No entanto, a confirmação do sucesso do transplante só poderia ser confirmado uma semana depois, até lá Joel Dantas deveria ficar com vendas nos olhos a fim de assegurar a cicatrização mais rápida. (MANCHETE, 1957,p.27). Joel Dantas foi o descobridor do petróleo em Macau em 1950 (MANCHETE, 1974, p.24). Os detalhes dessa descoberta é assunto para outra postagem.
Joel Celso Dantas 

Joel Dantas antes da cirurgia
Joel Dantas sendo operado
Joel Celso Dantas foi o cientista, potiguar, cego, que estudou Física e Química, através de um sistema de lentes combinadas que ele mesmo inventou e por meio das quais lia penosamente, letra por letra. Foi assim que devorou de zenas de tratados de mineralogia e geologia, chegando a conclusão de que no Rio Grande do Norte e o estados vizinhos do Nordeste possuíam um imenso lençol subterrâneo de minérios.

Fonte: Revista Manchete, 1957, 1974. 

Via: Crônicas taipuenses

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Natal completa 419 anos nesta terça (25); conheça a história

No dia em que o mundo cristão celebra o nascimento de Jesus Cristo, a capital potiguar comemora aniversário.

*Por G1 RN
Natal, capital do Rio Grande do Norte — Foto: Canindé Soares
No dia em que o mundo cristão celebra o nascimento de Jesus Cristo, a capital potiguar comemora aniversário. Por isso foi batizada de Natal. Nesta terça-feira, 25 de dezembro, a cidade completa 419 anos de história. 

A capital do Rio Grande do Norte surgiu a partir da intenção espanhola de expulsar os franceses do litoral brasileiro no período da União das Coroas Ibéricas (1580 -1640). O rei da Espanha, Felipe II, determinou a construção de uma fortaleza para proteger a Barra do Rio Grande – como era chamado o território naquela época – e a fundação de uma cidade a uma légua da fortificação.


Também conta a história que a Espanha queria a todo custo expulsar os franceses, porque a França era uma nação inimiga do reino espanhol. E nesta época, Portugal estava sob domínio da Espanha. Primeiro os franceses foram expulsos da Paraíba; depois, do Rio Grande. 

Fortaleza dos Reis Magos, na praia do Forte, é berço da história de Natal — Foto: Canindé Soares
Em 6 de janeiro de 1598 foi inaugurada a Fortaleza dos Santos Reis (hoje chamada Fortaleza dos Reis Magos), cujo nome faz referência ao Dia de Reis, quando se encerra o ciclo natalino. Quase dois anos depois, a uma légua da edificação, nasceu a cidade, a qual teve os limites demarcados em 25 de dezembro de 1599.

A relação da cidade com o ciclo natalino termina justamente no dia 6 de janeiro, Dia de Reis, em alusão à data em que a fortaleza foi inaugurada. Inclusive, este dia é feriado municipal em Natal. Os historiadores dizem que aproveitaram a missa de Natal, celebrada em 25 de dezembro, para fundar a cidade. Mas, não há provas documentais sobre a razão da escolha da data.

Os registros históricos também não dão conta de quem fundou a capital. Três nomes dividem a opinião dos estudiosos: Mascarenhas Homem, Jerônimo de Albuquerque e João Rodrigues Colaço. 

Monumento na estrada de Natal em homenagem aos três Reis Magos — Foto: Canindé Soares
Natal se resumia a poucos quilômetros de extensão. Começava nos arredores da atual Praça das Mães e terminava na Praça da Santa Cruz da Bica, ambas localizadas na Cidade Alta. Foram colocadas duas cruzes marcando o início e o fim da cidade. As cruzes iniciais foram perdidas. Mas ainda se conserva uma cruz simbólica na Praça da Santa Cruz da Bica.

Nova Amsterdã
Em 1633, Natal é alvo da invasão Holandesa ao Brasil. E recebe provisoriamente o nome de Nova Amsterdã, em alusão à capital holandesa. Um relatório desta época registra que havia cerca de 30 casas em Natal, a maioria delas cobertas com palhas. Motivo que levou um bispo português a escrever a seguinte constatação: "Natal não existe tal".

O escritor e viajante inglês Herry Koster também tinha esta opinião sobre a cidade. Em 1817, ele escreveu no livro 'Viagem pelo Brasil' a seguinte indagação: - Se chamam isso de cidade, o que serão as aldeias e vilas?

Para se ter ideia de como a cidade era pequena e pouco habitada em 1822, ano da independência do Brasil, Natal tinha em torno de 700 habitantes de acordo com o livro 'História da Independência do Brasil no RN', de Câmara Cascudo.

Mas, o 'ouro branco' muda a expressão da cidade na segunda metade do século XIX. O algodão incrementa a economia local e promove o desenvolvimento de Natal, principalmente do bairro da Ribeira, região às margens do Rio Potengi, onde havia um pequeno porto.

Gravura da época: o mais antigo mapa da cidade elaborado em 1633 — Foto: Caroline Holder/G1
No início do século XX, entre os anos de 1908 e 1913, o governo de Alberto Maranhão inaugura uma nova era na capital potiguar, cujos historiadores denominam de 'Modernidade de Natal'. Alberto Maranhão faz um empréstimo com a França e começa a investir na infraestrutura da cidade. Natal passa a ter iluminação pública, com lampiões a gás, além de bondes puxados por animais; além do término de importantes construções, como a do teatro Alberto Maranhão e o prédio que atualmente abriga a Ordem dos Advogados do Brasil no estado (OAB/RN), além da sede do Tribunal de Justiça do RN, onde funcionou o Instituto Histórico do Estado.

Em 1912, a cidade passa a ter bairros. Tirol e Petrópolis eram chamados de 'Cidade Nova'. Além destes, tinha ainda o Alecrim e a Ribeira. Nesta época, foi elaborado um planejamento da cidade. As avenidas que atualmente homenageiam presidentes do Brasil, como a Afonso Pena, Rodrigues Alves, Campos Sales, foram planejadas durante este período.

Segunda Guerra Mundial
Base Americana em Natal — Foto: Caroline Holder/G1
Outro acontecimento que inaugura uma nova fase na capital é a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em 1942, ao lado dos Estados Unidos. Natal passa a ter uma base americana que atrai investimentos e um povoamento de 10 mil soldados americanos - aumentando em 20% a população local. Um novo capítulo da história de Natal surgiu aí.

Atualmente
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Natal tem atualmente 877.640 habitantes numa área de 172 quilômetros quadrados.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

TIBAU-RN: PREFEITURA SE PREPARA PARA COMEMORA 23 ANOS DE EMACIPAÇÃO POLÍTICA

A Prefeitura Municipal de Tibau, através de suas secretarias, estará realizando no próximo dia 21 de dezembro, uma extensa programação para celebrar os 23 anos de Emancipação Política.
De acordo com o prefeito Josinaldo Marcos de Souza (PSD), “Naldinho”, para celebrar a data, a Administração Municipal vai se reunir nos próximos dias para elaborar a programação.
“Nossa cidade é repleta de belezas naturais, de um povo hospitaleiro, trabalhador, de homens e mulheres que contribuem diariamente com seu trabalho para construção do desenvolvimento e da melhoria de vida de cada um, merece, sem dúvidas, comemorar o aniversário da nossa querida e amada Tibau”, ressaltou o prefeito Naldinho.
A programação completa será divulgadas nos próximos dias.


*Informação: Mossoró Hoje.