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19 janeiro 2026

Aposentadoria do servidor público pode ser revisada após a publicação e exige atenção permanente

A advogada especialista em Direito do Servidor Público, Mylena Leite Ângelo, alerta que erros de cálculo, cortes indevidos e interpretações equivocadas da lei têm afetado servidores federais, estaduais e municipais já aposentados em todo o país.
Para muitos servidores públicos, a publicação do ato de aposentadoria representa o fim definitivo da vida funcional e o início de um período de estabilidade. No entanto, a realidade tem sido diferente para milhares de aposentados que só percebem problemas quando o valor do benefício diminui ou quando vantagens deixam de constar no contracheque.

A publicação da aposentadoria não encerra, necessariamente, a relação jurídica entre o servidor público e a administração. Pelo contrário: é após essa etapa que se tornam mais frequentes revisões administrativas, correções de cálculo e reavaliações de vantagens que impactam diretamente a renda mensal do aposentado.

Levantamentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que ações envolvendo aposentadorias e pensões de servidores públicos estão entre as demandas mais recorrentes no Judiciário na área de Direito Administrativo, impulsionadas principalmente por erros no cálculo dos proventos e pela retirada de direitos já consolidados.

Segundo a advogada Mylena Leite Ângelo, o principal erro do servidor é acreditar que a aposentadoria publicada é imutável.

“A publicação do ato não significa blindagem jurídica. A administração pública possui o dever de autotutela, reconhecido pelas Súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal, o que permite revisar seus próprios atos. O problema é que essas revisões nem sempre respeitam o direito adquirido e a segurança jurídica do servidor”, afirma.

Entre as falhas mais comuns estão erros na base de cálculo dos proventos, exclusão indevida de gratificações incorporadas, aplicação incorreta das regras de paridade e integralidade e atrasos no pagamento do benefício. Em muitos casos, o prejuízo financeiro só é percebido meses ou anos depois.

A especialista destaca que a Constituição Federal impõe limites claros à atuação da administração pública.

“O artigo 37 da Constituição estabelece princípios como legalidade e irredutibilidade de vencimentos. Qualquer redução de benefício sem respaldo legal pode e deve ser questionada. O servidor aposentado continua protegido pelo ordenamento jurídico”, explica.

Outro fator que ampliou a insegurança jurídica foi a Emenda Constitucional nº 103/2019, responsável por profundas mudanças no sistema previdenciário. Embora a norma preserve o direito adquirido e traga regras de transição, sua aplicação prática tem gerado interpretações divergentes dentro dos próprios órgãos públicos.

“É comum encontrarmos aposentadorias concedidas após a reforma sendo calculadas com base em regras que não se aplicavam àquele servidor. Sem uma conferência técnica do ato de aposentadoria, o erro se perpetua e compromete a renda do aposentado por tempo indeterminado”, alerta Mylena Leite Ângelo.

A advogada reforça que o acompanhamento jurídico após a aposentadoria não é excesso de cautela, mas uma medida de proteção financeira.

“A aposentadoria não é um ponto final automático. Ela inaugura uma nova fase da relação com o Estado, que exige atenção, análise do ato publicado e conferência contínua dos valores pagos”, conclui.

Com atuação nacional, Mylena Leite Ângelo observa crescimento expressivo de demandas envolvendo aposentadorias já publicadas, o que evidencia que a insegurança jurídica após a concessão do benefício é uma realidade enfrentada por servidores públicos em todo o país.

*Para saber mais, acesse o Instagram:* @mylenaleiteadvocacia

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