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21 abril 2026

Estudos indicam que limitar o uso de telas melhora o comportamento e a socialização das crianças

O uso de celulares, tablets e televisões faz parte da rotina de quase todas as famílias modernas, mas o impacto disso no desenvolvimento infantil tem sido acompanhado de perto por cientistas.

Estudos recentes reforçam uma ideia que muitos pais já sentem na prática: crianças que passam menos tempo diante das telas apresentam uma capacidade muito maior de autorregulação. Isso significa que elas conseguem lidar melhor com as próprias emoções e frustrações do dia a dia.

Quando uma criança tem o tempo limitado nesses dispositivos, ela é estimulada a buscar outras formas de entretenimento que exigem mais do cérebro e da criatividade. O excesso de estímulos visuais e sonoros das telas pode “viciar” o sistema de recompensa dos pequenos, tornando tarefas simples e offline — como desenhar ou montar um quebra-cabeça — menos interessantes. O controle desse tempo ajuda a manter o foco em atividades que realmente desenvolvem a paciência.

Além do controle emocional, a vida social ganha muito com esse equilíbrio. Crianças que não ficam presas ao mundo digital tendem a interagir mais com quem está ao redor, desenvolvendo o que os especialistas chamam de habilidades sociais. Elas aprendem a ler expressões faciais, a esperar a vez de falar e a negociar brincadeiras com outras crianças, competências que o algoritmo de um vídeo no YouTube não consegue ensinar.

É claro que a tecnologia não é uma vilã completa, mas o segredo está na dosagem. A pesquisa aponta que o problema não é o dispositivo em si, mas o que a criança deixa de fazer enquanto está conectada. Momentos de ócio, brincadeiras ao ar livre e conversas durante as refeições são fundamentais para que o cérebro aprenda a se acalmar sozinho, sem a necessidade de um estímulo digital constante.

A autorregulação é uma das bases para o sucesso escolar e para a saúde mental a longo prazo. Uma criança que consegue esperar e entender seus sentimentos hoje será um adulto com muito mais resiliência amanhã. Por isso, estabelecer limites claros e oferecer alternativas de lazer é um dos maiores investimentos que os responsáveis podem fazer agora.

Os benefícios de restringir o acesso digital na infância

Reduzir as horas de tela traz benefícios que aparecem rapidamente no comportamento cotidiano. Um dos pontos principais é a melhora na qualidade do sono. A luz azul emitida pelos aparelhos interfere na produção de melatonina, o hormônio do sono. Com o uso restrito, especialmente antes de dormir, a criança consegue relaxar de forma natural e ter um descanso mais profundo, o que reflete diretamente no humor do dia seguinte.

Outro ganho significativo acontece no desenvolvimento da linguagem. Crianças que interagem mais com humanos do que com personagens de desenho costumam ampliar o vocabulário de forma mais rica. A troca de olhares e a resposta imediata de um adulto durante uma conversa são estímulos poderosos que a tecnologia ainda não consegue replicar perfeitamente.

O convívio social também se torna mais leve. Sem a dependência de jogos ou vídeos para se distrair, os pequenos ficam mais abertos a explorar o ambiente e a fazer amigos. Eles desenvolvem a empatia, aprendendo a perceber as necessidades do outro e a colaborar em atividades em grupo, o que é essencial para o desenvolvimento de uma personalidade equilibrada e segura.

Estratégias para equilibrar tecnologia e vida real

Muitos pais se perguntam como colocar limites sem gerar conflitos desgastantes dentro de casa. O primeiro passo é criar “zonas livres de telas”, como a mesa de jantar e os quartos. Transformar esses espaços em locais de interação humana ajuda a criança a entender que a tecnologia tem hora e lugar para acontecer.

Oferecer alternativas atraentes é outra dica de ouro. Muitas vezes, o celular é usado como um “tapa-buraco” para o tédio. Ter livros, jogos de tabuleiro e materiais de artes sempre à mão estimula a criança a escolher o físico em vez do digital. O incentivo ao esporte e ao contato com a natureza também funciona como um excelente regulador natural da ansiedade infantil.

O exemplo dos adultos também conta muito. De nada adianta limitar o tempo do filho se os pais passam o dia todo checando notificações. Quando a criança vê que os responsáveis valorizam os momentos desconectados, ela tende a seguir o mesmo padrão de comportamento. É uma mudança de hábito que beneficia a família inteira e fortalece os laços afetivos.

O papel da escola e da família no controle digital

A escola também desempenha um papel fundamental nesse processo, ao incentivar atividades que promovam a colaboração e o raciocínio lógico fora do computador. Projetos que envolvem música, teatro e esportes coletivos são ferramentas incríveis para reforçar a autorregulação. Quando a criança percebe que pode ser feliz e produtiva longe do tablet, ela desenvolve uma relação muito mais saudável com a tecnologia.

O acompanhamento dos pais sobre o conteúdo consumido é tão importante quanto o tempo de uso. Mesmo em períodos curtos, o que a criança vê deve ser adequado à sua faixa etária. O ideal é que o tempo de tela seja compartilhado: assistir a um filme juntos e conversar sobre a história ajuda a transformar o consumo passivo em uma experiência ativa e educativa.

A ciência é clara ao mostrar que menos tela significa mais desenvolvimento emocional. Não se trata de proibir, mas de educar para o uso consciente. Ao priorizar as relações humanas e as brincadeiras físicas, estamos dando às crianças as ferramentas necessárias para que elas cresçam com saúde mental, inteligência emocional e uma capacidade incrível de se relacionar com o mundo ao seu redor.

*Gláucia Lima 

21 agosto 2023

Professor da UFRN vai à China para estudar como eram erupções vulcânicas no RN, na PB e no CE

Você já imaginou que o Nordeste brasileiro já foi palco de erupções vulcânicas? Pois é, isso aconteceu há milhões de anos, quando essa região ainda estava unida à África. Hoje, os vestígios desses vulcões podem ser vistos em alguns estados, como Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em toda a região, há cerca de 100 a 150 vulcões conhecidos, principalmente nessa região entre o RN e a PB.

Mas como eram essas erupções? Elas eram violentas como as do Vesúvio, que destruiu Pompeia na Itália, ou elas eram calmas como as do Havaí, que formam ilhas paradisíacas?

Essas são as perguntas que o professor Zorano Souza, do departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), quer responder.

O pesquisador vai fazer um pós-doutorado na Universidade de Geociências de Wuhan, na China, onde vai estudar os vulcões que existiam no Nordeste do Brasil. Ele vai ficar na Escola de Recursos da Terra da universidade chinesa, que vai apoiar sua pesquisa em vários locais. Ele vai coletar amostras desde Macau, no litoral norte do Rio Grande do Norte, onde há registros dessas formações geológicas, até Boa Vista e Queimadas, no interior da Paraíba.
Rochas guardam as respostas

A resposta depende da composição química do magma, que é o material rochoso derretido que vem das profundezas da Terra. Se o magma tem muito silício e água, ele fica mais viscoso e tende a explodir. Se ele tem mais magnésio, ele fica mais fluido e tende a escorrer. O professor Zorano explica que as rochas vulcânicas guardam essas informações em seus minerais e texturas.

As erupções vulcânicas no Nordeste brasileiro começaram há 130 milhões de anos e terminaram há dois milhões de anos. Nesse período, a região passou por várias mudanças geológicas e climáticas, que podem ter influenciado no comportamento dos vulcões.
Por que não tem mais vulcão no Brasil?

O Brasil é um país livre de vulcões ativos e terremotos fortes, porque está sobre uma placa tectônica estável. No passado, algumas regiões eram mais quentes e podiam gerar magma no interior da Terra. Com o tempo, elas esfriaram e deixaram de produzir magma. Por isso, os vulcões do Nordeste são uma relíquia geológica que merece ser estudada e preservada.

A tabela abaixo mostra os locais onde já foram comprovadas atividades vulcânicas no Nordeste.
LocalidadeNome do vulcãoEstadoIdade aproximada
AngicosPico do CabugiRN2 milhões de anos
Pedro AvelinoSerra AgudaRN2 milhões de anos
São ToméSerrote PretoRN2 milhões de anos
OutrosCerca de 100 a 150 ocorrências de vulcanismo no Nordeste, principalmente na faixa entre o RN e a PBVáriosEntre 130 e 2 milhões de anos
*Jair Sampaio

15 outubro 2021

Fardos misteriosos que apareceram nas praias são de navio nazista

O mistério envolvendo o aparecimento de fardos de borracha no litoral do Nordeste acaba de ganhar um novo capítulo.
Estudo comandado por pesquisadores da UFC (Universidade Federal do Ceará) e da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) aponta que as novas aparições ocorridas entre julho e agosto deste ano formavam parte da carga de um segundo navio nazista.

De acordo os pesquisadores, os novos fardos de borracha vieram do navio de carga alemão MV Weserland, naufragado pela Marinha Americana em janeiro de 1944.

Anteriormente, se concluiu que os primeiros fardos, que chegaram em 2018 e 2019 no litoral brasileiro, pertenciam a outro navio alemão, o SS Rio Grande, também naufragado pela Marinha Americana dias antes.

Agora, os pesquisadores estão na fase final de redação de um artigo científico sobre a nova descoberta.

A suspeita de que não se tratava do mesmo navio veio pela quantidade de novos fardos encontrados (mais de 200 entre Pernambuco e Bahia) e por inscrições em ideogramas japonês, o kanji —o que não tinha sido visto até então. Já os fardos encontrados anteriormente tinham inscrições da Indochina.

Outro ponto que intrigou os pesquisadores é que os fardos apareceram em Salvador, o que não ocorreu com os fardos do navio SS Rio Grande.

As caixas do SS Rio Grande apareceram no litoral do Nordeste entre 2018 e 2019intrigaram por muito tempo moradores do litoral e pesquisadores.
O novo navio

O navio agora responsável pelos fardos foi lançado ao mar em 1922 e afundado em 3 de janeiro de 1944, deixando cinco mortos. Ele servia de transporte de material entre as Américas e a Europa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) — e integrava uma rota era de países do sudeste asiático, sob domínio japonês. A embarcação foi afundada a 900 milhas náuticas, ou 1.666 km, a oeste das Ilhas de Santa Helena(território britânico entre América do Sul e África), segundo o Wreck Site.
Os pesquisadores já sabem que as fardos do navio têm as mesmas características do anterior: são caixas de borracha que seriam usadas pela Alemanha na guerra.

Além disso, esses navios carregavam metais nobres, e que hoje valem muito dinheiro. No caso do MV Weserland, havia uma carga valiosa de estanho. Já o cobalto era o metal precioso no caso do SS Rio Grande. Esses navios, inclusive, são considerados bombas-relógio no fundo do mar.

Segundo os pesquisadores, a busca atual pelos destroços do navio ocorre porque houve um salto no preço do estanho no mercado internacional no primeiro semestre de 2021. Isso, dizem, levantou a suspeita de que piratas estariam visitando o naufrágio na tentativa de recuperar essa carga.

Para embasar a teoria, os pesquisadores brasileiros contam que fizeram contato com o pesquisador britânico David Mearns, que confirmou a hipótese. “Ao contrário do SS Rio Grande, nunca havia sido registrado visita ao SS Weverland, mas a gente acredita que estão saqueando ele”, conta o pesquisador Carlos Teixeira, do Instituto de Ciências do Mar, da UFC.

Com a informação, foram feitas modelagens matemáticas, que revelaram que se os fardos saíssem do local do naufrágio iriam direto para a costa dos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas (estados onde foram encontrados mais fardos neste ano).

*Jair Sampaio