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28 março 2026

CPMI do INSS rejeita parecer de Alfredo Gaspar com 200 indiciamentos

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS concluiu suas atividades na madrugada deste sábado (28) após rejeitar o parecer do relator Alfredo Gaspar (PL-AL), que previa o indiciamento de mais de 200 pessoas. O texto foi derrubado por 19 votos contrários e 12 favoráveis.

Com cerca de 4,3 mil páginas, o relatório investigava um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A leitura do documento se estendeu por várias horas ao longo da sexta-feira (27).

Após a derrota do parecer, parlamentares da base do governo Luiz Inácio Lula da Silva pressionaram o presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), a nomear um novo relator para apresentar um texto alternativo. No entanto, o pedido foi negado, e Viana decidiu encerrar oficialmente os trabalhos da CPMI.

Segundo ele, a escolha de um novo relator é prerrogativa da presidência e não há obrigação de fazê-lo, o que inviabilizou a análise de um novo documento.

Divergências e relatórios concorrentes


Durante os trabalhos, a base governista apresentou um parecer alternativo, chamado de “Relatório da Maioria”, que divergia principalmente quanto aos indiciamentos. Enquanto o texto de Gaspar apontava mais de 200 nomes, o relatório governista sugeria o indiciamento de 131 pessoas.

Entre os citados no relatório alternativo estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), acusado de organização criminosa, e o ex-presidente Jair Bolsonaro, por crimes como organização criminosa, furto qualificado contra idoso e improbidade administrativa.

O documento também recomenda o aprofundamento de investigações sobre outros 71 nomes, incluindo pessoas físicas e empresas, além de mencionar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Já o parecer de Gaspar incluía, entre os pedidos de indiciamento, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, o que intensificou a disputa política dentro da comissão.

Críticas ao STF e fim da comissão


O relatório rejeitado também dedicava parte de seu conteúdo a críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), apontando suposta interferência nas investigações e um “esvaziamento” dos poderes da CPMI.

Entre as recomendações, estavam pedidos para que a Polícia Federal e o Ministério Público analisassem relações entre o ministro Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de contratos envolvendo a esposa do ministro Alexandre de Moraes.

A comissão foi encerrada após decisão do STF que negou a prorrogação do prazo de funcionamento, consolidando o fim das investigações sem a aprovação de um relatório final.

Como votaram os parlamentares?

Favoráveis ao relatório de Alfredo Gaspar
  • Magno Malta (PL-ES)
  • Marcio Bittar (PL-AC)
  • Izalci Lucas (PL-DF)
  • Eduardo Girão (Novo-CE)
  • Rogério Marinho (PL-RN)
  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Coronel Fernanda (PL-MT)
  • Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
  • Marcel Van Hattem (Novo-RS)
  • Alfredo Gaspar (PL-AL)
  • Adriana Ventura (Novo-SP)
Contrários ao relatório de Alfredo Gaspar
  • Soraya Thronicke (Podemos-MS)
  • Randolfe Rodrigues (PT-AP)
  • Jaques Wagner (PT-BA)
  • Eliziane Gama (PSD-MA)
  • Humberto Costa (PT-PE)
  • Jussara Lima (PSD-GO)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Augusta Brito (PT-CE)
  • Teresa Leitão (PT-PE)
  • Meire Serafim (União-AC)
  • Átila Lira (PP-PI)
  • Orlando Silva (PCdoB-SP)
  • Rogério Correia (PT-MG)
  • Ricardo Ayres (Republicanos-TO)
  • Alencar Santana (PT-SP)
  • Paulo Pimenta (PT-RS)
  • Lindbergh Farias (PT-RJ)
  • Neto Carletto (Avante-BA)
  • Dorinaldo Malafaia (PDT-AP)

*Com informações da CNN Brasil

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