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28 outubro 2026

RN reconhece as “40 Horas de Angicos” como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado

Foto: Raiane Miranda
O Governo do Rio Grande do Norte reconheceu as “40 Horas de Angicos” como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado. A medida foi publicada no Diário Oficial na terça-feira (27) e busca preservar o legado do educador Paulo Freire e a memória de uma das experiências mais importantes da educação popular brasileira.

Realizado em 1963, no município de Angicos, o projeto alfabetizou adultos por meio de uma metodologia que valorizava as vivências, os conhecimentos e a realidade social dos participantes. A lei tem origem em projeto de autoria do deputado estadual Ezequiel Ferreira.

Experiência de alfabetização marcou a história do RN


As atividades começaram em 28 de janeiro de 1963 e terminaram em 2 de abril do mesmo ano. A proposta era alfabetizar adultos em 40 horas de atividades.

A primeira turma reuniu 380 participantes, dos quais aproximadamente 300 concluíram o curso. Na época, Angicos tinha cerca de 9,5 mil habitantes.

O método utilizava palavras do cotidiano dos alunos como ponto de partida para o ensino da leitura e da escrita, aproximando a alfabetização da realidade social e profissional dos participantes.
Reconhecimento preserva memórias e práticas pedagógicas

A medida abrange relatos orais, memórias, saberes e práticas pedagógicas relacionados às pessoas e comunidades que participaram da experiência.

Entre os objetivos estão incentivar pesquisas, divulgar referências históricas e culturais e garantir a transmissão desse patrimônio às futuras gerações.
Como o projeto chegou a Angicos

A iniciativa começou a ser articulada em 1962 pelo então governador Aluízio Alves, natural de Angicos, com a participação do secretário estadual de Educação, Calazans Fernandes.

A proposta previa ampliar a experiência para outras regiões do Rio Grande do Norte, em um período marcado por elevados índices de analfabetismo e pela mobilização nacional em favor da educação de adultos.

O projeto foi interrompido após o golpe militar de 1964. Paulo Freire foi preso e posteriormente exilado, enquanto iniciativas de educação popular enfrentaram restrições durante a ditadura.
Legado de Paulo Freire

Para Fátima Bezerra, o reconhecimento também representa a valorização da educação como direito e instrumento de transformação social.

A governadora ressaltou que preservar a memória das 40 Horas de Angicos significa reconhecer a contribuição do povo potiguar para a história da educação brasileira e fortalecer a importância do conhecimento para a democracia.

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