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04 novembro 2026

Democratas assumem Congresso dos EUA e ampliam oposição ao governo Trump

Foto: Jonathan Ernst/Reuters
O Partido Democrata conquistou a maioria nas duas Casas do Congresso dos Estados Unidos após as eleições legislativas de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). O resultado representa uma derrota para o presidente republicano Donald Trump, que perde o controle da Câmara dos Representantes e do Senado e terá de enfrentar uma oposição fortalecida pelos próximos dois anos.

No Senado, os democratas chegaram a 54 das 100 cadeiras, enquanto os republicanos conquistaram 44. Outras duas vagas ainda aguardavam definição na última atualização dos resultados.

Na Câmara dos Representantes, os democratas alcançaram 228 assentos, superando os 218 necessários para garantir a maioria absoluta. Os republicanos tinham 139 cadeiras, enquanto 68 disputas permanecem sem resultado definitivo até a última atualização desta matéria.

A mudança no comando do Congresso deve dificultar a aprovação de projetos defendidos pela Casa Branca e ampliar o poder de fiscalização dos parlamentares democratas sobre o governo Trump.
Trump diz que aceitará resultado, mas sinaliza resistência

Após a confirmação da vitória democrata, Donald Trump afirmou, em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, que está disposto a reconhecer o resultado das eleições e trabalhar com a oposição.

“Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, declarou o presidente.

Entretanto, Trump também sinalizou que pretende utilizar o poder de veto presidencial para barrar propostas aprovadas pelos democratas. Após os primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, ele publicou uma imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.

Dias antes da votação, o presidente já havia antecipado essa possibilidade durante participação no podcast Pod Force One, do New York Post.

“Acho que vou me tornar o Sr. Veto”, afirmou.

Na entrevista, Trump explicou que pretende rejeitar projetos enviados pelo Congresso até que os democratas aceitem negociar com o governo.

“Eles vão enviar algumas coisas. Você veta. E, eventualmente, depois de um ou dois meses sendo vetados, eles só estão perdendo tempo, vêm até nós e fazemos um acordo”, disse.
Democratas avançam em estados tradicionalmente republicanos

A vitória democrata também foi marcada por resultados expressivos em estados historicamente alinhados aos republicanos.

No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton, candidato apoiado por Trump. Na Carolina do Sul, Annie Andrews também surpreendeu ao vencer Darline Graham, em uma disputa que colocou em xeque a força republicana em um estado conservador.

Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, ampliando as perdas do partido de Trump.

O presidente havia participado diretamente das campanhas republicanas, inclusive com visitas a Ohio para apoiar Husted. No Texas, Trump também havia declarado apoio a Paxton nas primárias, contrariando lideranças republicanas que questionavam a capacidade eleitoral do candidato.

Os democratas ainda conquistaram uma cadeira na Carolina do Norte e conseguiram manter posições importantes em New Hampshire e na Geórgia.

Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff garantiu a reeleição ao derrotar o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e conquistou a vaga deixada por Jeanne Shaheen, que decidiu não disputar a reeleição.

Outros democratas também conseguiram renovar seus mandatos sem grandes dificuldades, entre eles Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado.

Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para substituir Dick Durbin no Senado.
Como funcionam as eleições de meio de mandato nos EUA

As eleições legislativas norte-americanas acontecem a cada dois anos. Quando são realizadas na metade do mandato presidencial, recebem o nome de midterms, expressão utilizada para identificar as eleições de meio de mandato.

Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos tem renovação parcial em cada ciclo eleitoral. Os integrantes da Câmara dos Representantes possuem mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis anos.

Por isso, a cada dois anos, todas as 435 cadeiras da Câmara são colocadas em disputa. No Senado, aproximadamente um terço das 100 vagas é renovado a cada eleição.

Em 2026, além da totalidade da Câmara dos Representantes, 35 cadeiras do Senado estavam em disputa.

Com a conquista das duas Casas, os democratas passam a controlar a agenda legislativa do Congresso e ganham mais instrumentos para fiscalizar o governo de Donald Trump.

*98 FM de Natal 

Combinação de cisterna e fomento rural amplia emprego e renda no campo, aponta pesquisa

Famílias beneficiadas com a cisterna de produção acessam mais empregos formais, obtêm maior renda e deixam o Bolsa Família com mais frequência. É o que mostra a avaliação de impacto apresentada pelo professor Breno Ramos Sampaio, do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), durante a Sexta com Debate promovida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O estudo analisou os programas Cisternas e Fomento Rural.

A pesquisa avaliou o efeito de cada programa separadamente e também o efeito combinado dos dois. Segundo Breno Sampaio, os ganhos crescem quando a família recebe a cisterna, que garante água para produzir, junto com o fomento, que oferece capital e educação para produzir. “Os efeitos são bastante potencializados se você tem uma cisterna, com água para produção, e um fomento, com algum capital e educação para produzir”, explicou.

Entre os resultados, o pesquisador destacou o aumento do emprego formal entre as famílias atendidas. “Mostramos que as cisternas aumentaram o emprego formal das pessoas. Elas estão acessando mais empregos, maiores rendas, e isso resulta em melhoria de bem-estar”, afirmou.

Breno Sampaio também chamou atenção para a redução da presença das famílias no Programa Bolsa Família, que ele considera um fator de bem-estar social. “É um grande resultado para o programa, que está realmente viabilizando uma vida melhor para essas famílias”, disse. O pesquisador trabalha com o Programa Cisternas desde 2014 e estuda a Cisterna Segunda Água, voltada à produção, há um ano e meio.

Investimento em Políticas Públicas

A secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal, afirmou que os estudos do professor demonstram o retorno do investimento público nas duas políticas. “As pesquisas estatísticas e econométricas registram melhorias nas condições de vida, na saúde, na educação e na renda das famílias. Os trabalhos também apontam mais oportunidades de inclusão produtiva, maior produção de alimentos e criação de animais, além de avanços na segurança alimentar e nutricional”, completou.

Lilian Rahal lembrou que o pesquisador já havia apresentado dados sobre a resiliência das famílias à migração, quando as famílias que recebem cisternas, elas migram menos. Agora, segundo ela, o estudo mostra também que o benefício se estende ao Cadastro Único. “A partir do momento que as famílias recebem cisternas, principalmente a de água para produção, elas passam a ter mais oportunidades de acesso a emprego e à renda, e vão saindo do Cadastro Único e deixando o Bolsa Família”, observou.

O evento contou também com a presença da diretora na Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Raquel Rizzi.