O que mais chama a atenção é que o problema já havia sido resolvido há bastante tempo. Após a primeira prisão, Seu França decidiu buscar reparação na Justiça, processou o Estado e já conseguiu vencer a ação. A expectativa era de que aquele episódio ficasse definitivamente para trás e que ele pudesse seguir sua vida sem o risco de passar novamente pelo mesmo constrangimento.
Mas o que deveria ser um capítulo encerrado acabou se repetindo. Mesmo com a situação já solucionada, o motorista foi novamente conduzido pelo mesmo motivo, enfrentando mais uma vez o constrangimento de ser tratado como devedor de uma obrigação que, segundo ele, não existia mais.
Aos 60 anos, Seu França agora se prepara para buscar novamente seus direitos. Além da ação que já venceu em razão da primeira prisão, pretende acionar o Estado também pelo segundo episódio, considerado por ele uma repetição de uma injustiça que já deveria ter sido superada.
O caso levanta um questionamento inevitável: como alguém pode ser preso duas vezes pelo mesmo motivo, mesmo depois de a situação ter sido resolvida judicialmente?
Para Seu França, não se trata apenas de uma questão jurídica, mas de dignidade, respeito e do direito de não passar novamente por uma situação tão humilhante. Afinal, quem deveria proteger o cidadão não pode permitir que ele seja vítima repetida de uma falha que já deveria ter sido corrigida.
*Fim da Linha

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